Casamento Não é Ponto Final, é Vírgula

Antes do casamento, muitos casais criam oportunidades para estar juntos.

Planejam encontros, conversam durante horas, fazem perguntas, demonstram interesse, comemoram datas e procuram maneiras de surpreender um ao outro.

Depois do casamento, porém, existe um risco silencioso: começar a acreditar que aquilo que já foi conquistado não precisa mais ser cultivado.

A rotina chega. As responsabilidades aumentam. Os filhos demandam atenção. Trabalho, contas, compromissos e cansaço ocupam grande parte dos dias.

E, sem perceber, marido e esposa podem se transformar em excelentes parceiros de administração da casa, mas deixar de investir na amizade e no relacionamento que os uniu.

Por isso, junho, mês tradicionalmente associado ao romance no Brasil, pode ser uma oportunidade interessante para lembrar que o namoro não deveria terminar quando o casamento começa.

Talvez ele apenas precise mudar de forma.

Depois de alguns anos juntos, romantismo pode significar preparar um café, mandar uma mensagem no meio do dia, assistir alguma coisa juntos depois que os filhos dormirem ou simplesmente perguntar: “Como você está de verdade?” — e parar para ouvir a resposta.

“O amor é paciente, o amor é bondoso… não é rude, não procura seus interesses.” (1 Coríntios 13:4-5)

O amor descrito na Bíblia não é apenas sentimento. Ele aparece em atitudes.

Amar é continuar prestando atenção.

É perceber quando o outro está sobrecarregado. É manter o respeito mesmo durante uma discordância. É escolher palavras que aproximam em vez de ferir.

Também é continuar conhecendo quem está ao nosso lado.

As pessoas mudam. Os sonhos mudam. Os medos mudam. Depois de dez anos, seu marido ou sua esposa já não é exatamente a mesma pessoa que você conheceu no início — e isso significa que ainda existem coisas novas para descobrir.

Quando foi a última vez que vocês conversaram sobre sonhos que não envolviam boletos, filhos ou tarefas?

Quando foi a última vez que fizeram alguma coisa simplesmente porque gostam de estar juntos?

Casamentos não costumam esfriar de um dia para o outro. Muitas vezes, a distância é construída em pequenas ausências. Da mesma maneira, a proximidade também pode ser reconstruída através de pequenas escolhas.

Neste mês, proponha algo simples: uma refeição sem celular, uma caminhada, um café, uma noite em casa preparada com intenção.

Não é preciso recriar o início da história.

É preciso continuar escrevendo-a.

Porque o “sim” do altar não é o ponto final do romance. É a vírgula que inicia uma vida inteira de escolhas para continuar amando.